9. TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 10.9.12

1. NUNCA FOMOS TO LONGE
2. DINHEIRO LIMPO
3. MAIOR, MAIS FINO E POUCO INOVADOR

1. NUNCA FOMOS TO LONGE

Lanadas em 1977, as sondas Voyager 1 e 2 esto prestes a se tornar o primeiro objeto criado pelo homem a ultrapassar os limites do Sistema Solar
 Juliana Tiraboschi 

Jornada nas estrelas - Com as sondas Voyager, a humanidade enxerga cada vez mais longe e melhor
 
A viagem j dura 35 anos, e s agora as sondas espaciais Voyager 1 e Voyager 2 esto prestes a realizar um feito histrico na epopeia humana no espao. Elas esto prximas de sair da heliosfera, espcie de bolha formada por ventos solares, e entrar em uma regio chamada espao interestelar. Ser a primeira vez que um objeto criado por humanos romper os confins do Sistema Solar. 

O que elas vo encontrar ainda  incerto, mas a misso j ampliou muito nosso conhecimento sobre o Sistema Solar. As sondas foram as primeiras a visitar Urano e Netuno e enviaram imagens de Jpiter e Saturno com uma riqueza de detalhes sem precedentes.

Uma das descobertas mais surpreendentes foi a de atividade vulcnica em Io, uma das luas de Jpiter, diz Ed Stone, cientista-chefe da misso e professor de fsica do Instituto de Tecnologia da Califrnia (EUA). At ento, nunca tnhamos observado vulces ativos fora da Terra. Para mim, a maior conquista foi atravessar a zona chamada de choque de terminao, porque com isso conseguimos medir a distncia at essa rea e determinar a extenso do domnio de influncia do Sol, a heliosfera, diz Robert Decker, pesquisador do laboratrio de fsica aplicada da Universidade Johns Hopkins e autor do estudo. 

Enquanto aguardam pelas novas descobertas, os cientistas se debruam sobre as imagens inditas que as sondas continuam enviando. A comunicao se d por rdio e demora 17 horas para que um sinal percorra os cerca de 18 bilhes de quilmetros entre as sondas e a Terra. Quase nada, se comparado s trs dcadas e meia de viagem.


2. DINHEIRO LIMPO
As cdulas de real fora de circulao, que eram incineradas, agora so trituradas e viram matria-prima para a confeco de cadernos, blocos, brindes, objetos de decorao e at adubo
Edson Franco

NOVO CICLO - Bloco feito com cdulas de real trituradas no Instituto Reciclar
 
Enquanto voc l este texto, 4,8 bilhes de cdulas de real circulam pelo Brasil. Por mudar de mos o tempo todo, elas tm um tempo de vida curto. No perodo mdio de um ano, 40% delas tornam-se inteis e voltam para o Banco Central, que faz picadinho com elas. O resultado anual  uma pilha de duas mil toneladas de cdulas trituradas. At 13 anos atrs, o destino desse lixo era a incinerao. Hoje, a maior parte dele  despejada em aterros sanitrios. Como a Poltica Nacional de Resduos Slidos determina a desativao dos lixes at 2014, o BC est em plena corrida para encontrar um fim mais ambientalmente correto para o dinheiro.
 
Por meio de parcerias, trabalhamos em projetos que devem ser aplicados em larga escala num prazo de at dois anos, diz Joo Sidney de Figueiredo Filho, chefe do Departamento do Meio Circulante do Banco Central. Uma das ideias vem de uma instituio quase vizinha ao BC. 

A professora da Universidade de Braslia Thrse Hofmann uniu-se aos colegas Jos Carlos Andreoli e Sebastio Roberto de Andrade para resolver o principal problema na hora de reciclar dinheiro: tirar a resina que envolve e estica a vida das notas. Aps vrios testes, chegaram a um composto eficiente em 1996. Esperaram por 12 anos at que o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) concedesse a carta-patente. 

Sem a resina, fazer o papel-moeda voltar  condio de celulose de algodo  relativamente simples. O material serve de base para cadernos, convites e brindes. Depois de desenvolver a tecnologia, o desafio de Thrse passou a ser outro. O plano agora  montar uma usina-modelo para que o projeto seja exibido e difundido no resto do Pas. Estamos atrs de financiadores que entendam que isso no  filantropia. Isso d dinheiro, diz a professora, que  doutora em desenvolvimento sustentvel. Segundo os planos dela, o projeto tem de ser aproveitado tambm para dar oportunidades a ex-detentos, portadores de deficincia e outros excludos da economia formal.

Um projeto de reciclagem de dinheiro com preocupao social tem sede em So Paulo. No Instituto Reciclar, adolescentes aprendem a transformar cdulas em blocos, cadernos e objetos decorativos. Aqui, a reciclagem no  um fim, mas um meio. Mais importante  ensinar os jovens sobre esprito de equipe, superao e cumprimento de metas, diz Joo Cruz, gerente de vendas e produo do instituto. Ele diz que, para participar do programa, h trs condies: morar na favela, ter boas notas na escola e no apresentar problemas de comportamento.
 
Outros produtos podem ser feitos com notas trituradas. Um projeto da Universidade Federal Rural da Amaznia usa o dinheiro para fazer adubo. As cdulas respondem por 10% de uma mistura que  completada com restos de lixo orgnico. Nos testes, o composto tem se mostrado eficaz em culturas como a do feijo. O trabalho conta com a participao do governo do Par, que ir distribuir o produto para a populao carente de Belm. Dinheiro vai continuar no dando em rvores, mas elas podem crescer com a ajuda dele.


3. MAIOR, MAIS FINO E POUCO INOVADOR
Sem os avanos impressionantes dos tempos em que a Apple era capitaneada por Steve Jobs, o iPhone 5  uma verso melhorada do modelo anterior e traz dispositivo que divide "applemanacos"
Juliana Tiraboschi 

TEM MAIS? - Sem o carisma de Steve Jobs, Tim Cook apresenta o iPhone renovado
 
Em 2007, quando a Apple lanou o iPhone, a empresa de Steve Jobs inaugurou um novo paradigma no mercado de celulares. O aparelho da Apple no foi o primeiro smartphone do mundo, mas foi pioneiro a explorar o conceito de multitoque  a tela entende mais de um ponto de contato, permitindo que se faa zoom em uma imagem, por exemplo  em um dispositivo mvel. Alie-se a isso a uma vocao para ser um aparelho multimdia, com a facilidade de exibir fotos e vdeos, comandos intuitivos, uma infinidade de aplicativos disponveis, design atraente e o fetiche de marca inovadora e est pronta a receita que criou um dos produtos mais cobiados j inventados. 

A partir disso, a cada lanamento de uma nova verso do celular, especialistas e applemanacos ficam na expectativa de que algo extraordinrio ir acontecer. Esperam sempre que a Apple v surpreender novamente como fez em 2007. Foi, em parte, o que aconteceu na quarta-feira 12 durante o aguardado anncio do iPhone 5. Sem muitas surpresas, a apresentao da Apple apenas confirmou as informaes que j haviam vazado na internet: o novo aparelho vem com uma tela maior, est mais fino e leve e, apesar de trazer outras mudanas,  um aperfeioamento de algo que j existia, no um aparelho de fato inovador.

Pode ter sido decepcionante para quem esperava grandes novidades. Pouca coisa mudou, diz Charlotte Miller, analista de dispositivos mveis da empresa inglesa de pesquisas Juniper Research. Mas o que parece ter melhorado bastante foram os grficos e a velocidade do sistema iOS6, afirma a especialista. Uma mudana que vale destacar  que o iPhone5 vem preparado para o 4G LTE, rede de alta velocidade das operadoras de telefonia mvel, ainda no disponvel no Brasil. O problema  que o 4G daqui funcionar em uma frequncia diferente da usada nos Estados Unidos. Portanto, se no houver uma adaptao para o mercado brasileiro, o aparelho s poder ser usado na rede 3G. 

O sistema de mapas do iPhone5 tambm est diferente. A Apple rompeu a parceria com o Google, fornecedor desse servio para as verses anteriores do aparelho. Criou seu sistema prprio de GPS e uma navegao 3D rotacionada, que permite ver uma rua com profundidade e de diferentes ngulos. A assistente pessoal Siri ganhou novas funes. Agora, alm de enviar mensagens, fazer ligaes e marcar lembretes por comando de voz, o sistema informa placar e agenda de jogos esportivos e ajuda a fazer reserva em restaurantes. Outra novidade  a adeso  tecnologia NFC (near-field communication, ou comunicao por aproximao). Em alguns pases esse sistema j  usado para pagamentos digitais: basta aproximar o aparelho da mquina leitora para o valor ser debitado do carto de crdito. Outras fabricantes, como Motorola e Nokia, tambm embutiram o NFC em seus modelos de ponta mais recentes.

Uma mudana que no agradou a todos os applemanacos foram os novos design e tecnologia do conector que liga o iPhone ao carregador de bateria e a diversos outros acessrios comercializados pela Apple. Quem tiver esses dispositivos e quiser comprar a nova verso do smartphone vai precisar adquirir adaptadores  por US$ 29 cada um, nos EUA. Teoricamente, esse conector  melhor, transmite os dados de maneira mais veloz, mas tambm pode ser uma estratgia para estimular os clientes a trocarem seus equipamentos, diz Almir Meira Alves, professor de redes de computador da faculdade de tecnologia Fiap, em So Paulo. 

O especialista discorda que o iPhone5 seja uma decepo. Para Alves, apesar de o modelo vir de uma famlia de produtos j conhecida, ele representa uma mudana de patamar. Os concorrentes vo correr atrs, diz. O poder de processamento dele  grande, e a tela, apesar de no ser a maior do mercado, entrega uma nitidez muito boa com o aumento na resoluo, afirma. Outro ponto destacado pelo professor  o sistema de correo de movimento para a gravao de vdeos, que evita aquela imagem de arrasto que aparece quando se filmam imagens em movimento. A cmera de 8 megapixel tambm no  indita, mas a resoluo duas vezes maior do que a anterior e tecnologias de correo de luz deram um upgrade no equipamento, em relao s verses anteriores. O novo iPhone tambm possibilita registrar fotos panormicas, funcionalidade j oferecida por outros aparelhos, como o Galaxy S3 da Samsung, mas que  novidade na Apple.

Para Charlotte Miller, uma verdadeira revoluo ir acontecer quando as fabricantes de celular conseguirem desenvolver baterias mais duradouras. O problema  que os consumidores se acostumaram a carregar cada vez mais funcionalidades em seus smartphones, dificultando a criao de um sistema que sustente todo esse gasto de energia. Vai ser difcil voltar aos dias em que carregvamos o celular apenas uma ou duas vezes por semana, diz a analista. Por enquanto, essa no parece ser a prioridade dos consumidores. O povo quer mesmo  aplicativo.
